Por mais que possua diagnóstico e tratamento disponíveis na rede de saúde, a Sífilis continua presente na rotina dos brasileiros
A médica infectologista do Hospital Universitário Maria Aparecida Pedrossian, da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (Humap-UFMS), integrante da HU Brasil, Isadora Hallal, alerta que essa infecção bacteriana pode passar despercebida, pois muda de apresentação ao longo do tempo.
“Na fase inicial, geralmente aparece uma ferida na região genital, chamada cancro duro. Ela costuma ser indolor, pode ser pequena e, nas mulheres, pode estar dentro da vagina ou no colo do útero, em um local que a própria pessoa não consegue visualizar”, detalha a especialista.
A ferida em questão pode desaparecer espontaneamente depois de algumas semanas. “A pessoa pode achar que está curada, mas a infecção continua no organismo”, adverte Isadora.
Na etapa seguinte, a doença pode entrar na fase chamada latente, em que não há nenhum sinal ou sintoma. A pessoa se sente completamente saudável, mas continua infectada. Assim, quando não é diagnosticada e tratada, em uma parte dos casos, a sífilis pode evoluir, anos depois, para formas mais graves, podendo atingir órgãos como o coração e o sistema nervoso.
O diagnóstico salva vidas
O teste da sífilis não deve ser feito somente quando aparecem sintomas. Atualmente a recomendação é para o rastreamento com teste rápido anual para todas as pessoas sexualmente ativas.
Isadora Hallal reforça que a sífilis não tratada pode permanecer no organismo por muitos anos: “Nas formas mais avançadas, pode comprometer o sistema nervoso e o sistema cardiovascular, além de causar lesões em outros tecidos. Pode provocar problemas neurológicos, alterações nos olhos, problemas cardiovasculares e, em casos graves, incapacidade e até morte”, informa a médica.
Mas vale ressaltar que o tratamento cura a infecção. A pessoa tratada pode se infectar novamente, porque não há imunidade permanente contra a doença. “Por isso, mesmo quem já teve sífilis deve continuar adotando medidas de prevenção como uso de preservativo e realizar novas testagens quando houver indicação”, comenta.
Em busca do tratamento adequado
Um dos principais erros é pensar que com o desaparecimento dos sintomas, a infecção deixa de existir. Interromper o tratamento ou não respeitar corretamente o intervalo entre as doses, quando o esquema exige mais de uma aplicação, também é erro comum entre pacientes.
Isadora ainda salienta que necessário não esquecer o tratamento e a avaliação das parcerias sexuais e o acompanhamento depois do tratamento, porque a pessoa pode se reinfectar.
A sífilis durante o pré-natal
A sífilis pode ser transmitida da gestante para o bebê durante a gestação e causar consequências graves. A recomendação é testar a gestante na primeira consulta do pré-natal, no início do terceiro trimestre e novamente no momento do parto. O objetivo é identificar a infecção o mais cedo possível e tratar antes que ela possa ser transmitida e causar danos ao bebê.
“A boa notícia é que essa transmissão pode ser evitada. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado da gestante durante a gravidez reduzem muito o risco de consequências para o bebê”, pontua a infectologista.
Sem sintomas, mas consciente
A sífilis pode passar muito tempo sem causar nenhum sinal e, mesmo assim, continuar sendo transmitida e causar problemas no futuro. Por isso, a testagem faz parte da prevenção além do uso de preservativo durante as relações sexuais. É uma infecção que tem cura e o tratamento é disponível no SUS.
Outubro Verde chega justamente para mobilizar a população quanto ao assunto. A campanha nacional busca a conscientização, prevenção e combate à sífilis e à sífilis congênita.
Fonte: HUMAP-UFMS | Imagem: Brasil Escola









