Pesquisa do jornalista Sergio Cruz da ASL e do IHGMS
Ainda na euforia do sucesso na tomada da fazenda Machorra e do forte Bela Vista e antes do malogro da invasão da fazenda Laguna, o coronel Carlos Camisão, comandante das forças brasileiras em operações no Sul de Mato Grosso, chegou a cogitar a possibilidade de invadir o território paraguaio e ocupar a vila de Conceição. A pretensão do comandante brasileiro consta de relatório ao vice-presidente da Província de Mato Grosso, datado de 23 de abril de 1867, sobre o estado de ânimo da tropa:
“No estado em que se acham as coisas, tenho, confiado na coragem que todos os meus comandados patenteiam, o desejo de avançar até a vila da Conceição a trinta léguas daqui, onde eu estabeleceria a artilharia sobre a barranca do Rio Paraguai, para incomodar aos vapores que passarem com direção em Coimbra, e onde se reuniriam não só os quinze brasileiros que acham-se ocultos em matas, como numerosas famílias prisioneiras em pontos próximos; entretanto, a questão de recursos me tolhe os passos, pois me acho sem gado nem cavalhada, a 26 léguas de Nioac, onde está o depósito pouco provido de mantimentos, que ali criei. Farei todos os esforços para ver se consigo o meu intento e se levo ao cabo a empresa gloriosa, bem que árdua, que me foi confiada”.
FONTE: Taunay, A Retirada da Laguna, (16a. edição brasileira) Edições Melhoramentos, São Paulo, 1963, página 151.
FOTO: Porto de Conceição, final do século XIX.
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