Quando criança as regras eram rígidas.
Naquela pobreza que vivíamos, os conselhos e os comportamentos eram intransigentes.
Aprendíamos a pedir ‘bênçãos’ aos mais velhos.
Pessoas mais velhas, mesmo desconhecidas, se nos repreendessem, a ordem era: abaixar a cabeça e ir andando.
Era: sim senhor; não senhor; dá licença; desculpe; não vou fazer mais isso – já era grave e com algumas chineladas na bunda ou nas costas – castigo atrás da porta. Responder isso era inimaginável. Adultos conversando éramos proibidos de ficar perto. Entrar na conversa era inimaginável. Trabalhávamos que quiséssemos ter um dinheirinho. Havia pessoas que sempre faziam um ‘agrado’, mas tinha favores que eram pagos com um “muito obrigado e que Deus lhe ajude” e baixávamos a cabeça e íamos em frente.
Mais velhos tinham direito à se sentar primeiro, depois nós.
Um olhar de repreensão de pai ou de mãe significava que quando a visita saísse, tínhamos contas a acertar.
Não sei se foi uma boa ou má a criação recebida porque, de certa forma, isso nos trouxe até aqui à velhice, e chegar à velhice significa que a vida como criança nos preparou para que vencêssemos todos os perigos para chegarmos até à velhice.
O velho é a criança que ‘deu certo’.
A crianção de hoje em dia não tem mais nada a ver. Não se preocupam os pais em preparar o filho para a vida, porque, a maioria nem pensa nos desafios que os filhos terão que enfrentar se quiserem chegar à velhice, e então eles se desviam imaginendo um mundo que não existe.
Quando se educa em casa a criança não precisará sofrer as ‘borrachadas’ da polícia nas ruas.
Hoje o que estamos vendo são crianças malcriadas, despreparadas pela vida, e pais então ‘mais perdidos que cebola em salada de frutas’.
Quem vero despreparo?
Entre numa escola e vejam como tratam os professores. Entrem num coletivo e vejam como alunos despreparados sentam no lugar dos isodos e fingem estar dormindo como se estivessem cansados para não dar um direito de pessoas que ‘o’ adquiriram de forma justa porque chegaram à velhice.
E, como corrigir isso?
Primeiro esse tipo de educação comportamental vem de casa, vem dos pais. Se os pais não tem e não cobram é porque também não receberam.
E os filhos de hoje em dia – claro que quando falo há excessões – não respeitam os pais que por sua vez exigem que sejam eles ‘educados pela escola’.
Esses dificilmente serão alguma coisa porque a raiz – os pais – não conseguiram transmitir-lhes nada, consequentemente serão aqui que estão sendo.
E como consertar tudo isso?
Sinceramente?
Nem eu sei.
Bom-dia.