quinta-feira, 25/04/2024
“Há muitos desafios a serem conquistado pelas mulheres”, diz ajunta da SES no Dia 8 de Março

“O papel da mulher no cenário brasileiro e internacional é diferente, pois há muitas lutas que elas precisam vencer para abrir espaços em diversas frentes de trabalho, inclusive na ciência”, assim inicia a secretária-ajunta da SES/MS (Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul), Crhistinne Maymone, ao falar sobre o Dia Internacional da Mulher.

Em homenagens a todas as mulheres, a Saúde estadual trouxe a visão da secretária-adjunta da SES, Crhistinne Maymone, casada há 33 anos e mãe de um filho de 31 anos, cujos desafios se iniciaram logo cedo com a perda da mãe vítima de um câncer, e que mais recentemente durante a pandemia da Covid-19 desempenhou um papel fundamental onde usou os conhecimentos da Ciência no enfrentamento do Coronavírus, além de recebeu a missão do governador Eduardo Riedel, ao lado do secretário de estado Saúde, Dr. Maurício Simões, de pensar em novas ações estratégica para Saúde Estadual.

Mas antes, o ‘8 de Março’ possui uma simbologia importante na vida de muitas mulheres porque representa a resistência diária delas em diversos níveis de acesso sejam eles educacional, profissional e/ou pelo simples fato de ser mulher. Internacionalmente, o ‘8 de Março’ registra a história de mulheres que lutaram para terem direitos de igualdade de condições em relação aos homens que por muitas vezes privilegiados dentro da sociedade.

Inspirada na temática, a cientista Crhistinne Maymone que atualmente é pós-doutoranda do Instituto de Estudos Avançados da USP (Universidade de São Paulo) destaca que a busca por respostas sem foi precoce. “A busca pelo conhecimento veio desde os sete anos de idade – lembro de uma cena do meu pai conversando comigo dizendo que eu parecia um ‘padre’ que tudo perguntava sobre o Porquê? Quando? Como? Onde? Tudo eu queria saber aos sete anos de idade. Esta inquietude por mais conhecimento sempre esteve presente, é do meu ‘ser’, então, essa é a Crhistinne”, diz aos risos.

Com 35 anos de experiência dedicados ao SUS (Sistema Único de Saúde) e, principalmente, no desenvolvimento da Ciência no estado de Mato Grosso do Sul, Maymone destaca que os desafios são muitos, mesmo dentro do campo científico em relação às mulheres. “Nós precisamos de uma profunda mudança cultural, principalmente, nos papeis estabelecidos para os parceiros dentro de uma vida familiar para que todos – em condição de igualdade – tenham os mesmos acessos às oportunidades”.

Crhistinne explica que as mulheres, assim como os homens, detêm do mesmo nível de conhecimento, aptidão e habilidades. “A rotina de muitas mulheres se torna diferente e sobrecarregada por conta das atividades desempenhadas no lar. Embora se tenha avançado muito com os anos, a atividade dentro do lar ainda está ligada mais às mulheres do que aos homens atualmente. Por isso, essa necessidade de mudança cultural”.

Para ela, a história é marcada por grandes mulheres que tiveram o ‘atrevimento de sonhar alto’, de realizar transformações profundas e conquistar seu espaço. Mulheres que com os frutos de seus trabalhos motivaram novos conhecimentos e contribuíram para mudar ‘o mundo’ mesmo quando, de maneira injusta, não foram reconhecidas.

Os desafios para as mulheres existem dentro das diversas áreas do conhecimento e do trabalho. “Isto não ocorre exclusivamente em uma determinada área de conhecimento, mas essa luta se torna um pouco mais difícil talvez porque historicamente foi ocupada mais pela população masculina. Então, enquanto você é mulher, amiga, mãe, filha é natural que uma atribuição em uma carreira como a ciência, por exemplo, requeira que fique 100% dedicada a um projeto de pesquisa. Isto demanda mais tempo em relação a outras atividades como por exemplo, da rotina diária. Então, os componentes são desafiadores para as mulheres, principalmente, para aquela que está no processo da conquista pela ciência”, pontua a secretária-adjunta.

Inovações

Antenada às questões discutidas, principalmente, internacionalmente, Crhistinne inovou no ano passado promovendo o ‘I Simpósio de Saúde Única/One Health de Mato Grosso do Sul’, com apoio do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas de Vigilância em Saúde) e do Cosems (Conselho de Secretarias Municipais de Saúde de MS).

O tema ‘Saúde Única’ tem ganhado espaço dentro das discussões científicas que tratam de questões ligadas à Saúde e Epidemiologia. A visão integrada entre a saúde humana, animal e saúde ambiental tem sido discutida por diversos cientistas mundo a fora, principalmente, após a pandemia da Covid-19. Outro ponto de estudo ocorre no campo da biologia molecular sobre o quanto isto pode impactar no futuro da medicina de precisão.

Ao lado do secretário de Estado de Saúde, Dr. Maurício Simões, no comando da SES, Crhistinne relata que transitar sobre todos os conhecimentos relacionados à saúde se torna um desafio diário, são assuntos ligados desde ao orçamento, gestão administrativas, somadas a todas as demais áreas que estão dentro da pasta.  Inclusive, levando informação de qualidade à sociedade sobre saúde.

“Esse trânsito vem de toda uma história, de uma trajetória percorrida em oportunidades que tive experiência, que estudei para trabalhar com muitos destes temas presentes. Claro que o nível de conhecimento sobre esses temas se diferencia conforme os níveis de experiências que vivenciei, no entanto é sempre desafiador. O mundo e a ciência têm avançado muito rápido e isto te obriga a estudar mais, ler mais, a ter uma análise crítica mais profunda, isto se chama resiliência. De você se adaptar a esse novo momento. É isto que a ciência te proporciona. E não existe uma solução milagrosa. A consolidação e a evidência científica abrem novos caminhos para novos desafios e opções”, destaca.

Como exemplo de mulher que anseia por mais inclusão, visto que outras mulheres assim como ela possam ter perspectiva de crescimento profissional, com igualdade de cargos e salários a fim de construir uma sociedade mais justa e democrática. Crhistinne espera que todas consigam se realizar dentro de suas vidas pessoais e profissionais. E cita, a sua própria história de forma emocionante.

“É uma abdicação de muitas horas. Mesmo estando longe da minha família ou estando em casa trabalhando, sinto que eles me amam muito, que meu círculo familiar e minhas amigas também me apoiam muito. Todos aceitam a minha ausência e conseguem me entender, pois sabem que gosto muito do que faço, que me completo me dedicando à ciência, ao estudo e à pesquisa, à docência, e trabalhando pelo meu Estado que amo muito, principalmente, pensando em cada cidadão para que ele tem acesso a todos os serviços de saúde de forma digna e de qualidade. Por isso, estudo muito. Então, essa é a minha completude”, destaca.

Histórico

Natural de Campo Grande, a Dra. Crhistinne Maymone é doutora em Ciências pela Faculdade de Saúde Pública da USP, Mestre em Desenvolvimento Local pela Universidade Católica Dom Bosco (2003) e Graduada em Odontologia pela Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (1987). Atualmente, Pós-Doutoranda do Instituto de Estudos Avançados da USP.

Possui experiência na área de Saúde Coletiva: Políticas públicas de saúde, Promoção da Saúde, Determinantes Sociais da Saúde, Avaliação de Serviços de Saúde, Telessaúde, Tuberculose, COVID-19 e Arboviroses (projetos em Zika, Dengue e Chikungunya). Atua em Pesquisas clínicas sobre Tuberculose e Arboviroses, com População Privada de Liberdade e Populações Indígenas e na Coordenação das Emergências, como a Pandemia da Covid-19.

Rodson Lima, SES

Fotos: Rodson Lima/Arquivo