Iniciativa realizada em parceria com o Huab-UFRN orienta a familiares desde o pré-natal até o cuidado em casa para que se tornem agentes ativos no desenvolvimento do bebê
O cuidado com bebês prematuros ganha um novo modelo de atenção no Brasil com o Projeto Cuida (Cuidado Unificado do Pré-Natal à Transição Hospital-Casa para Famílias de Bebês Prematuros). A iniciativa, aprovada no edital Rede HU+, tem como instituição proponente o Hospital Universitário Ana Bezerra (Huab-UFRN) e como instituição coparticipante o Hospital Universitário da Universidade Federal da Grande Dourados (HU-UFGD), ambos integrantes da Rede HU Brasil.
Para a pesquisadora e fisioterapeuta do HU-UFGD, Valéria Azevedo de Almeida, a escolha da instituição como coparticipante fortalece a representatividade regional do estudo e amplia a produção de evidências sobre o cuidado ao prematuro em diferentes contextos do país.
“O Hospital Universitário da UFGD foi escolhido por ser um hospital de referência para gestação de alto risco e atenção neonatal no sul de Mato Grosso do Sul, além de integrar a Rede HU Brasil e possuir experiência em assistência, ensino e pesquisa voltadas à saúde materno-infantil. Podemos contribuir para a produção de evidências multicêntricas sobre o cuidado ao prematuro e sua família”, explica.
O projeto propõe a implementação e avaliação de um protocolo inovador de cuidado contínuo, que integra ações desde o pré-natal de alto risco até o acompanhamento após a alta hospitalar. A proposta inclui consultas pré-natais ampliadas, nas quais profissionais capacitados orientam gestantes e famílias sobre a prematuridade, os cuidados com o recém-nascido e o fortalecimento do vínculo afetivo.
Segundo Valéria Azevedo de Almeida, a consulta ampliada é uma estratégia complementar ao pré-natal convencional, realizada no terceiro trimestre da gestação, com foco na preparação da família para o possível nascimento prematuro.
Após o nascimento, os bebês e suas famílias são acompanhados nas unidades de internação neonatal, como UTINeo, método Canguru e enfermarias, até a alta hospitalar. Em seguida, o cuidado continua no domicílio, com acompanhamento presencial ou remoto, conforme a necessidade e a disponibilidade de cada família.
A alta não é o fim da prematuridade; o bebê continua precisando de estímulos
Para a professora e pesquisadora do Huab-UFRN, Silvana Alves Pereira, a iniciativa nasce da observação cotidiana da assistência neonatal e da necessidade de compreender o momento da alta hospitalar. Segundo ela, muitas famílias ainda interpretam a alta como o fim da prematuridade, quando, na verdade, trata-se do início de uma etapa decisiva para o desenvolvimento da criança. “O Cuida surge exatamente para transformar essa realidade, instrumentalizando as famílias para que se tornem agentes ativos no desenvolvimento de seus filhos”, afirma.
O projeto busca enfrentar o cuidado após a alta hospitalar e as dificuldades enfrentadas pelas famílias no acesso a serviços e orientações com acompanhamento estruturado e ações de educação em saúde, fortalecendo a rede de atenção e a comunicação entre os diferentes níveis de cuidado. Além da assistência, o projeto também avalia desfechos de saúde, adesão às intervenções, níveis de estresse parental, qualidade da interação mãe-bebê e indicadores do desenvolvimento infantil.
A pesquisa será conduzida em formato multicêntrico, com coortes paralelas em diferentes regiões do país, Nordeste, Centro-Oeste e Sul, permitindo a análise de distintas realidades sociais e regionais. A coleta de dados ocorre nos ambulatórios de pré-natal de alto risco dos hospitais participantes, com acompanhamento das gestantes elegíveis desde a inclusão na pesquisa até o período pós-alta.
Segundo Silvana Alves Pereira, os resultados esperados incluem o fortalecimento do conhecimento das famílias sobre o desenvolvimento infantil, o aumento da capacidade de identificação precoce de sinais de alerta e a qualificação do cuidado desde o pré-natal. No âmbito institucional, a expectativa é consolidar um modelo de atenção replicável, fortalecer a formação de profissionais e ampliar a produção científica em neonatologia. O projeto também envolve a formação de estudantes de pós-graduação em diferentes programas do país.
A pesquisadora destaca ainda o potencial do “Cuida” para subsidiar políticas públicas. O modelo proposto é considerado de baixo custo e alto impacto social, alinhado a diretrizes recentes de atenção ao prematuro no Brasil.
“Ao validarmos cientificamente a eficácia da consulta ampliada e da transição hospital-casa, estamos entregando ao SUS uma tecnologia social testada e pronta para ser implementada em larga escala”, afirma. A proposta também enfatiza o fortalecimento do vínculo entre mãe, bebê e família desde a gestação, promovendo maior segurança, redução do stresse parental e participação ativa dos cuidadores.
Sobre a HU Brasil
Criada por meio da Lei nº 12.550/2011 e vinculada ao Ministério da Educação (MEC), a HU Brasil nasceu tendo como nome oficial Empresa Brasileira de Serviços Hospitalares – Ebserh. É responsável pela administração de 45 hospitais universitários federais em 25 unidades da federação, apoiando e impulsionando suas atividades por meio de uma gestão de excelência. Em 2026, em um reposicionamento junto à sociedade, ao mercado e instituições parceiras, passou a ter um novo nome, que carrega sua essência: HU Brasil.
Fonte: HU BRASIL | Foto: Francisco Willian Saldanha/HU Brasil









