terça-feira, 27/02/2024

Guaicurus da ALEMS passam por restauração e celebram história de MS

Guaicurus da ALEMS passam por restauração e celebram história de MS
Obra está completando 30 anos.

Foto: Wagner Guimarães

Eles já recepcionaram quem chegava à sede do Poder Legislativo e agora estão ao lado da Galeria dos Presidentes, no saguão principal da Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS). Os guaicurus, retratados pela artista plástica sul-mato-grossense Leonor Lage, estão em óleo sobre tela que passa por restauração desde a semana passada. Preservação da história priorizada pela Mesa Diretora. 

“Este trabalho de restauro faz parte do planejamento da nova gestão, visando a manutenção do Palácio Guaicurus, sede da Assembleia. O painel, obra da consagrada artista, integra o patrimônio cultural do Estado e resgata e imortaliza o heroísmo dos povos indígenas na defesa do território brasileiro”, pontuou o presidente da ALEMS, deputado Gerson Claro (PP). O quadro, que retrata exímios cavaleiros indígenas que lutaram ao lado dos brasileiros na Guerra do Paraguai (1864-1870), foi baseado na obra Charge de Cavalerie Gouaycourous, do francês Jean Baptiste Debret.

Segundo a restauradora Mara Inês da Cruz Silva, toda arte em tela, depois de algum tempo, precisa passar por limpeza, conservação e restauração, para que não perca o brilho. “Ao avaliar o material, de imediato percebi um acúmulo de massa na parte superior, o ressecamento e craquelamento em várias partes, além de muita sujeira e marcas de mãos em toda a tela. A minha proposta de intervenção é a limpeza manual química e mecânica para higienização, suturas em várias partes, uma boa fixação, uma boa hidratação e depois a policromia pontual onde houve perdas. Finalizaremos com verniz para proteger toda a tela”, detalhou Mara Inês.

Mara Inês da Cruz Silva é formada em Artes Plásticas e trabalha há quase 25 anos na área. Tem especialização em Conservação e Restauração de Patrimônios Arquitetônicos e vários cursos na área de restauração. Já participou de diversas mostras brasileiras, ganhou prêmio e expôs em vários países. Dentre seus trabalhos em Mato Grosso do Sul, está a recuperação da imagem de Nossa Senhora da Abadia, que integra a Catedral de Campo Grande, desde 1912 – estátua datada de ao menos 120 anos, que a artista demorou quatro meses na recuperação. Mara Inês é irmã do ex-deputado Amarildo Cruz (PT – in memorian) e disse que o irmão sonhava com a conservação do painel exposto na ALEMS.

“Preservar e conservar o patrimônio é uma maneira de manter sempre viva e presente nossa história, as nossas origens. Temos sempre que preservar, porque senão tudo se vai, quando morre. Nesse caso específico, é uma obra muito significativa, porque retrata a história de Mato Grosso do Sul e dá sua devida importância histórica”, enfatizou. Mara Inês também lembrou que a arte é admirada por todos. “Vejo como todos que estão aqui apreciam. Quem passa, pode até dizer que não conhece de arte, mas observa e sente algo, é envolvido. Eu já ouvi vários relatos muito bons enquanto trabalho. Nem vejo o tempo passar”, contou. 

Também no saguão Nelly Martins, os visitantes podem conhecer as Constituições de MS e objetos que marcaram momentos históricos da criação do Estado e também do Poder Legislativo. 


Leonor Lage. Foto: Divulgação

Arte e bem viver

Leonor Cavalheiro Lage (1947-2018) foi professora de Artes em Mato Grosso do Sul por mais de 20 anos, sendo uma das pioneiras no Brasil a lecionar para pessoas com deficiência. Considerava as expressões artísticas importantes em processos terapêuticos. Cursou Direito, mas a vocação para as artes plásticas falou mais alto, se tornando o ofício de toda uma vida.

Seu primeiro quadro foi de natureza morta, aos 13 anos. Em 1993, fez a Batalha Guaicurus para o hall de entrada da Assembleia e, em 2018, faleceu aos 71 anos, após lutar contra um câncer no pâncreas. Saiba mais sobre a artista nesta Moção de Pesar apresentada na ALEMS pelo deputado Zé Teixeira (PSDB), à época de seu falecimento.