quarta-feira, 21/02/2024

<b>Agosto Verde</b>: ALEMS conscientiza sobre prevenção à depressão e outros problemas

<b>Agosto Verde</b>: ALEMS conscientiza sobre prevenção à depressão e outros problemas

Dedicado às ações preventivas à integridade da pessoa, combatendo e prevenindo depressão, prostração ou desânimo, abatimento, esgotamento, estresse, tristeza, melancolia, ansiedade e outras doenças, a Assembleia Legislativa de Mato Grosso do Sul (ALEMS) instituiu o mês “Agosto Verde” por meio da Lei nº 5.088, de 9 de novembro de 2017.

De autoria dos parlamentares Paulo Corrêa (PSDB) e Pedro Kemp (PT), e também dos então deputados estaduais Paulo Siufi, George Takimoto e Antonieta Amorim, a iniciativa conscientiza sobre a importância da prevenção e do diagnóstico precoce de doenças mentais, tendo em vista que no dia 5 de agosto é comemorado o Dia Nacional da Saúde.

Paulo Corrêa enfatiza que saúde mental é preocupação na ALEMS

Foto: Luciana Nassar

Para o deputado Paulo Corrêa, o assunto é tratado com muita seriedade e responsabilidade pelo Legislativo Estadual. “O cuidado com a saúde mental é uma preocupação constante para nós aqui na Assembleia Legislativa, porque ela afeta diretamente o bem-estar geral e várias áreas da vida da população. Afeta a autoestima, a forma como nos relacionamos, as decisões que tomamos, os desafios que enfrentamos, produtividade, desempenho e também a saúde física. Então, temos trabalhado em conjunto com o Governo do Estado e as entidades assistenciais, no sentido de levar informação para acabar com o tabu sobre o assunto e cuidar das pessoas, que é o que há de mais importante”, destaca.

Estatísticas

Apontadas pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), por meio da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS), as últimas estatísticas disponíveis, em 2019, mostram que quase 16,292 milhões de brasileiros, com 18 anos ou mais, que referem diagnóstico por profissional de saúde mental, sofrem de depressão. No Estado de Mato Grosso do Sul, a mesma pesquisa aponta que em seis anos os casos aumentaram em 28%, totalizando, em 2019, 199 mil sul-mato-grossenses (10,1%), que enfrentam a doença. “Vale lembrar que o Brasil já atingia índices alarmantes de depressão e ansiedade antes da pandemia. O que nos faz acreditar que o cuidado com a saúde mental da população não pode deixar de ser prioridade nesse período tão conturbado em que vivemos em que já pode ser considerado a maior calamidade de nossa geração. A taxa de suicídio também é preocupante, pois coloca o Mato Grosso do Sul entre os primeiros colocados, principalmente quando esse fenômeno se apresenta na realidade dos povos indígenas”, enumera o psicólogo e presidente do Conselho Regional de Psicologia da 14ª Região (CRP14/MS), Walkes Jacques Vargas.

O profissional lembra que a atual geração nunca havia enfrentado uma pandemia naquela proporção, trazendo à tona uma perda das referências que constituíam as relações sociais, produzindo sofrimentos e situações de vulnerabilidade que podem ser experienciados de diversas formas, entre elas a depressão. “A Organização Mundial de Saúde (OMS) aponta que de um terço a metade da população pode vir a sofrer alguma manifestação psicopatológica durante uma pandemia, caso não seja feita nenhuma intervenção de cuidado específico. De acordo com estimativa da própria OMS, no primeiro ano de pandemia, a prevalência global de ansiedade e depressão aumentou cerca 25%”, disse. Ele ainda evidencia que campanhas como essa são importantes para sensibilizar a população sobre temas específicos de prevenção e atenção à saúde. Para ele, a maior contribuição é mostrar que a depressão é uma questão de saúde pública e deve ser tema permanente de debate. “Além disso, as campanhas precisam dialogar com o povo a fim de que a importância da saúde pública ganhe destaque na sociedade. Mais do que isso, é preciso garantir políticas públicas para que a população tenha acesso a serviços públicos de qualidade ofertados no território onde as situações de vulnerabilidade acontecem”, coloca Walkes Jacques Vargas.


Pedro Kemp aponta que é preciso ação preventiva

Foto: Luciana Nassar

Para o deputado estadual Pedro Kemp o tema é grave e precisa ser tratado de forma honesta, objetiva e, principalmente, com ações responsáveis dentro do ambiente escolar. “Sabemos que a realidade do mundo tecnológico, muitas vezes, provoca o isolamento. A falta de políticas públicas para a juventude também é outro grave problema. Por isso, apresentamos propostas e apoiamos o Agosto Verde. É preciso ação preventiva. Escutamos nas escolas relatos de sofrimento psicológico entre os alunos, em razão de problemas de ordem pessoal”, elenca o parlamentar.

Depressão

Conforme o médico psiquiatra Erico Marques Kohl, a depressão é uma condição de saúde mental que afeta o humor, pensamentos e comportamentos de uma pessoa. Ele explica que os sintomas podem incluir tristeza persistente, perda de interesse em atividades que antes eram prazerosas, fadiga, alterações no sono e apetite, sentimentos de desesperança, entre outros. “Caso apresente tais sintomas por pelo menos duas semanas consecutivas e eles estiverem interferindo significativamente na vida diária, é importante procurar ajuda profissional. Um médico, psicólogo ou psiquiatra podem avaliar o quadro, oferecer diagnóstico e recomendar tratamentos adequados, que podem incluir psicoterapia, medicamentos ou uma combinação de ambos. Não hesite em buscar ajuda se você ou alguém que conhece estiver enfrentando esses desafios emocionais”, indica o profissional. 


“Não hesite em buscar ajuda”, diz Erico Kohl

Foto: Arquivo Pessoal

Prática de exercícios físicos

Para Erico Marques Kohl, a prática regular de exercícios físicos pode ser uma medida eficaz tanto na prevenção quanto no tratamento da depressão. “Existem diversos benefícios associados aos exercícios físicos que podem impactar positivamente o estado emocional de uma pessoa”, diz. 

Abaixo seguem alguns exemplos desses benefícios, conforme elencados pelo profissional de saúde: 

Liberação de endorfinas: Durante o exercício, o corpo libera endorfinas, substâncias químicas que atuam como analgésicos naturais e promovem uma sensação de bem-estar e euforia.

Redução do estresse: Os exercícios podem ajudar a diminuir os níveis de cortisol, o hormônio do estresse, o que pode contribuir para aliviar os sintomas depressivos.

Melhora do sono: A prática regular de exercícios pode ajudar a melhorar a qualidade do sono, o que é essencial para a saúde mental.

Aumento da autoestima: Conquistar metas e melhorar a forma física podem aumentar a autoconfiança e a autoestima de uma pessoa.

Oportunidade social: Participar de atividades físicas em grupo ou em ambientes sociais pode oferecer interações sociais, o que também pode ser benéfico para o bem-estar emocional.


Projeto Amigos do Parque, sancionado em  2015

Foto: Aline Kraemer 

Segundo o médico psiquiatra, embora o exercício físico seja uma ferramenta útil, ele não substitui tratamentos profissionais, como a terapia e a medicação quando necessária. “Se alguém estiver lidando com a depressão, é fundamental buscar apoio de um profissional de saúde mental para desenvolver um plano de tratamento adequado e abrangente. A prática de exercícios físicos pode ser integrada a esse plano para melhorar os resultados e o bem-estar geral”, esclarece o médico. 

Para incentivar a prática de atividades fisicoesportivas, recreação e turismo em contato com a natureza, foi instituído pela Lei  nº 4.682, de 12 de junho de  2015, o Projeto Amigos do Parque. A atividade disponibiliza à população uma das vias de acesso do Parque dos Poderes, localizado em Campo Grande, capital do Estado. A delimitação da rua acontece aos sábados, domingos e feriados, das 7h às 19h, proporcionando aos frequentadores a prática de atividades de esportes e lazer, como corrida, caminhada, andar de patins/skate ou de bicicleta.

Relato

Moradora da capital do Estado, Maria de Lourdes (nome fictício) tem depressão há oito anos. Neste período, foi diagnosticada com a doença no segundo ano de convivência com os sintomas. Atualmente, com 38 anos, ela comenta que já consegue lidar com os períodos de oscilação dos sintomas. “Logo após o rompimento do meu casamento e, em seguida, dos falecimentos do meu pai e da minha irmã, eu me sentia exausta e com todos os meus sentimentos à flor da pele. Antes disso eu vivia muito bem, mas de repente me encontrei dona de casa, trabalhando fora, com uma rotina muito puxada. Achava que era cansaço, já que existiam dias bons e ruins”, narra.

Ela já sabia que algo não estava legal em sua saúde mental e que tinha perdido a alegria de viver. Foi neste período que buscou ajuda profissional. “Primeiramente uma psiquiatra me diagnosticou e entramos com medicação. Em seguida comecei tratamento com uma psicóloga para tentar entender e conviver com minhas emoções. Após isso, iniciei com a atividade física e mudei minha alimentação. Estava indo tudo bem, até que tive uma recaída: veio aquele sentimento de dor, de fraqueza, angústia, tristeza… São vários sentimentos que é difícil até hoje de conseguir explicar. Neste momento nada faz sentido, nada importa, nada tem valor”, descreve.

Maria não teve ajuda de pessoas de seu convívio social. Conforme ela, o seu entendimento era que ninguém tinha culpa da situação e que ela precisava lutar pela sua vida. “Eu que deixei as emoções me dominarem e quando me vi no fundo do poço, eu só tinha uma única opção: sair de lá. Então enfrentei tudo e me organizei com a vida. Passei a me cobrar menos e a fazer o que dava. Entendi que eu era a única responsável por mudar aquele cenário. Eu coloquei todas as minhas angústias em Deus. E ele me libertou! A minha cura foi mais espiritual do que física”, pontua.

Ela comenta que ainda não está curada e que passa por dias ruins que são difíceis de lidar. “Às vezes é necessário me ausentar. Mas eu já sei como funciona e consigo romper o véu, saindo mais rápido da escuridão”. Ela aconselha que as pessoas com diagnóstico parecido possam assumir as suas emoções e se libertar, para assim viver um dia de casa vez. “Assumir que você é limitado te liberta. Assumir que sem Deus você não é nada te faz grato”, finaliza.

Ajuda Profissional

O médico psiquiatra Erico Marques Kohl cita que existem diversos canais pelos quais uma pessoa pode buscar ajuda e apoio para a depressão, incluindo serviços gratuitos. Algumas opções incluem: 

Postos de saúde ou unidades básicas de saúde: Podem fornecer atendimento médico e encaminhamento para profissionais de saúde mental.

Centros de Atenção Psicossocial (CAPS): Oferecem atendimento psicológico, social e terapêutico de forma gratuita dentro da rede de saúde.

Linhas de apoio emocional e prevenção do suicídio: Existem linhas telefônicas específicas em diversos países para fornecer suporte emocional a pessoas em crise.

Grupos de apoio: Participar de grupos de apoio pode ser uma maneira útil de compartilhar experiências e encontrar suporte mútuo.

Terapia online: Algumas plataformas oferecem serviços de terapia online, algumas delas podem ter opções gratuitas ou de baixo custos. 

“Lembre-se de que é essencial procurar ajuda adequada e a busca de auxílio profissional qualificada e de forma precoce, consiste num fator de bom prognóstico da evolução da doença”, finaliza Erico Marques Kohl.

O presidente do CRP14/MS, Walkes Jacques Vargas, enfatiza o quanto é importante que, pessoas que se sintam, de alguma forma deprimida, procurem o acompanhamento de um profissional de saúde qualificado. “No âmbito do Sistema Único de Saúde (SUS), é possível buscar atendimento na unidade básica de saúde mais próxima, ou no Centro de Atenção Psicossocial. Também existe a oferta de serviços gratuitos nas universidades, públicas ou privadas, que possuem Serviços de Escola de Psicologia, além de outras entidades que também prestam serviços gratuitos à população”, reforça. 

Ação Legislativa

Na Assembleia Legislativa foi implantada a Comissão de Saúde, presidida pelo deputado estadual Lucas de Lima (PDT), que objetiva analisar proposições sobre a questão de saúde e previdência do Estado, bem como o acompanhamento das ações e serviços de saúde pública. Abaixo estão disponíveis legislações relacionadas ao Agosto Verde:

Lei nº 4.711, de 2 de setembro de 2015: Institui a Semana Estadual de Prevenção e de Combate à Depressão, no âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul, e dá outras providências.

Lei nº 5.088, de 9 de novembro de 2017: Institui o mês “Agosto Verde”, dedicado a ações preventivas à integridade da pessoa, combatendo e prevenindo depressão, prostração ou desânimo, abatimento, esgotamento, estresse, tristeza, melancolia, ansiedade e outras doenças, no Estado de Mato Grosso do Sul, e dá outras providências.

Lei nº 5.395, de 13 de setembro de 2019: Institui, no âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul, a Campanha Permanente de informação, prevenção e combate à Depressão, e dá outras providências.

Lei nº 5.533, de 18 de junho de 2020: Estabelece diretrizes para política de diagnóstico e tratamento da depressão pós-parto no sistema de saúde da rede pública e privada estadual, e institui o Dia Estadual de Prevenção e Combate à Depressão Pós-Parto, e dá outras providências.

Lei nº 5.731, de 4 de outubro de 2021: Institui a Política de Diagnóstico e Tratamento da Síndrome da Depressão no Estado de Mato Grosso do Sul, e dá outras providências.

Lei nº 5.881, de 16 de maio de 2022: Institui, no âmbito do Estado de Mato Grosso do Sul, a “Semana Estadual da Conscientização sobre a Esquizofrenia”, e dá outras providências.