Campo Grande-MS
terça-feira, 18/08/2026

Aos 17 anos e prestes a votar pela primeira vez, Lorena Valério Gomes começou a semana ocupando uma das cadeiras do Senado Federal. Aluna da Escola Estadual Professor Severino de Queiroz, em Campo Grande, ela tomou posse nessa segunda-feira (17) como representante de Mato Grosso do Sul no Programa Jovem Senador e Jovem Senadora Brasileiros de 2026.

Lorena foi recebida pelo senador Nelsinho Trad, que acompanha e incentiva o programa desde 2019, seu primeiro ano de mandato. Durante a cerimônia, o parlamentar destacou a importância da participação dos jovens justamente no momento em que o país se prepara para escolher presidente da República, governadores, senadores e deputados.

“A gente sempre incentivou esse projeto por enxergar o quanto ele é significativo, não só para quem vai viver esta experiência aqui dentro, mas especialmente para todos os jovens que precisam de estímulo para despertar para as atividades políticas”, afirmou.

Para Lorena, a experiência no Senado antecede outro momento importante de participação política: a primeira votação dela em uma eleição. Antes de apertar as teclas da urna eletrônica, a estudante terá passado por uma semana dentro do Congresso, acompanhando como as leis são discutidas, apresentadas e votadas.

Democracia nas redes sociais

Lorena conquistou a vaga com uma redação sobre o tema “Democracia nas redes sociais: como construir um debate saudável”. A proposta ganhou ainda mais relevância em um ano de eleições gerais, quando as redes sociais voltam a ocupar espaço central na circulação de informações, na propaganda eleitoral e no debate entre eleitores.

Na redação, a estudante recorreu a um documentário para tratar da influência da internet sobre o processo político. Um dos pontos centrais do texto foi a diferença entre liberdade de expressão e o uso das redes para disseminar intolerância e ataques pessoais.

“Eu soube diferenciar a liberdade de expressão da ignorância e da falta de respeito que as pessoas têm nas redes sociais. Esses discursos de ódio são colocados nos comentários sem pensar e acabam afetando a outra pessoa. As pessoas esquecem que existe outro ser humano do outro lado, lendo”, explicou Lorena em conversa com o senador Nelsinho Trad.

Ela viajou a Brasília acompanhada da professora orientadora Edivânia Gomes da Silva Rodrigues, responsável por auxiliá-la na preparação da redação vencedora.

Lorena contou que conheceu o programa neste ano, por intermédio do pai, cujo médico também havia participado de uma edição do Jovem Senador.

“Estou muito feliz. É muito legal saber que tudo isso existe fora da televisão, porque normalmente nós apenas assistimos e não estamos aqui. Neste momento, estou como uma jovem senadora. A experiência está sendo incrível”, disse.

Mulheres ocupam 23 das 27 cadeiras

Lorena integra uma edição com maior presença feminina no programa. Das 27 redações vencedoras, 23 foram escritas por meninas, o equivalente a 85% dos selecionados. No ano passado, foram 21 jovens senadoras.

O protagonismo feminino também chegou ao comando dos trabalhos. A representante do Pará, Iolanda Paiva Favacho Ribeiro, foi eleita presidente do Senado Jovem com 13 dos 27 votos. Toda a Mesa Diretora escolhida pelos estudantes é formada por mulheres. Maria Grasielle de Souza Félix, da Paraíba, assumiu a Vice-Presidência; Lívia Disperati Bravin, do Espírito Santo, foi eleita primeira-secretária; e Maria Clara da Silva Oliveira, de Alagoas,
segunda-secretária.

“Parabéns às mulheres. Estamos no Agosto Lilás (mês dedicado à conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher) e elas estão cada vez mais exercendo sua cidadania”, afirmou.

O que é o Jovem Senador

O programa começou a ser construído em 2008, inicialmente como um concurso de redação. A partir de 2011, após a aprovação da Resolução 42/2010, os estudantes vencedores passaram a atuar como jovens senadores durante uma semana em Brasília.

A cada edição, são escolhidos 27 estudantes do ensino médio de escolas públicas: um de cada estado e um do Distrito Federal. A seleção começa dentro das escolas, com a produção de redações acompanhada por professores orientadores, e passa pelas secretarias estaduais de Educação antes da etapa nacional.

Em 2026, o concurso registrou um recorde: 239.449 estudantes de 5.361 escolas públicas participaram. Ao longo de 14 edições, o programa já mobilizou mais de 2 milhões de alunos.

Durante esta semana, os estudantes também vão participar de palestras, audiências e reuniões de comissões. Eles elaboram ainda propostas, discutem os textos e votam os projetos em sessão no Plenário na sexta-feira (21).

As propostas aprovadas são encaminhadas à Comissão de Direitos Humanos e Legislação Participativa do Senado e podem iniciar uma tramitação oficial no Congresso. Desde a criação do programa, os jovens senadores já apresentaram 67 sugestões legislativas. Dessas, 40 estão em tramitação e sete foram aprovadas pelo Senado e aguardam análise da Câmara dos Deputados.

Desde o início do mandato, o senador Nelsinho Trad vem divulgando o concurso, incentivando estudantes da rede pública a participar e acompanhando os representantes de Mato Grosso do Sul.

“Sai percorrendo várias escolas em Campo Grande, no Mato Grosso do Sul, levando a mensagem de que você, jovem, pode fazer uma redação bem-feita e vir aqui (…) representar o Mato Grosso do Sul”, contou durante a posse dos vencedores deste ano.

A relação com os participantes não termina após a semana de vivência legislativa. Maria Eduarda Jucá Ojeda, representante de Mato Grosso do Sul em 2022, e Miguel Morgiroth Partzlaff, escolhido em 2024, passaram a integrar a equipe do escritório de apoio do parlamentar em Campo Grande, onde colaboram também com a divulgação do mandato.

Foto: Divulgação