DIARIO DA HISTÓRIA
Pesquisa do jornalista Sergio Cruz, da ASL e do IHGMS
Chega ao porto de Cuiabá, por volta do meio dia, de 13 de outubro de 1889, o vapor Dona Constança, com a notícia de uma epidemia de febre amarela em Corumbá e o objetivo de buscar socorro na capital. A chegada do vapor causou um grande alvoroço na cidade, com enorme repercussão, conforme registro do órgão de imprensa da província:
As notícias cruéis de que era portador o D. Constança, confirmando amplamente que ainda nessa manhã havíamos dado sobre a seção mortífera da epidemia ou endemia ali grassando, vieram demonstrar-nos do modo o mais efetivo possível quanto era lastimável na mísera população o estado de espírito público, sob a brutal pressão dos fatos aterradores que o acabrunhavam.
Também, não há pintar a funda impressão de lástima e desesperadora ansiedade que nos comprimiu e amarrotou a alma a todos.
De manhã havíamos dito – não haver que comentar, sim que providenciar; e devemos fazer-nos esta justiça – que ante a evidência da desgarradora posição da nossa querida irmã, a alma cuiabana não se equivocou, egoísta, no cumprimento do dever, – e, assim como ela, a administração pública, no seu posto de responsabilidade, foi encontrada na altura da penosíssima situação.¹
Não se conhecem os números de mortes ocasionadas pela doença, mas a imprensa cuiabana, sem detalhes em novembro informava que “já subia a trezentos o número dos infelizes que sucumbiram pela febre amarela”.²
Graças às prevenções tomadas pelo governo a febre amarela que assolou Corumbá não chegou à capital do Estado. Quanto a infestação fora de Corumbá, há breve informação de sua chegada à vila de Miranda:
Por carta particular sabemos que a próspera e ubérrima zona do município de Miranda, está sendo invadida pela cruel epidemia de febre amarela. S.Exa. o sr. governador deste Estado, logo que teve conhecimento desta infausta nova, tomou imediatamente enérgicas e acertadas providências a respeito.³
FONTE: ¹A Província de Mato Grosso, 20 de outubro de 1889; ²A Gazeta (Cuiabá), 21 de novembro de 1889; ³O Matto-Grosso (Cuiabá), 12 de janeiro de 1890.
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O jornalista SERGIO CRUZ, do Instituto Histórico e Geográfico de Mato Grosso do Sul e da ASL, pesquisou e este livro conta a história do começo ao fim. Se Mato Grosso do Sul faz parte de sua história, não deixe de levar este documento para sua estante.
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