O governo do Mato Grosso do Sul promove em 13 de maio de 1984, o maior despejo de sua história. Cerca de 1000 famílias que haviam ocupado uma gleba da Someco, no município de Ivinhema são retiradas com violência pela polícia de Wilson Martins, comandada pessoalmente pelo secretário de Segurança Pública, Aleixo Paraguassu (foto).
Sob chuva fina e grossa intolerância da autoridade policial, as famílias foram atiradas em cima de carrocerias de caminhões e transportadas para Ivinhema, a mais de 50 quilômetros e jogadas em frente à igreja católica.
O movimento, que seria o embrião do MST, foi coordenado pelos próprios trabalhadores, a maioria brasiguaios (brasileiros que moravam no Paraguai) e teve o apoio da Comissão Pastoral da Terra e do bispo de Dourados, Dom Teodardo Leitz.
Alguns dias depois, os despejados foram removidos para a vila de São Pedro, em Dourados, onde acamparam numa área pertencente à igreja. Em seguida, o governo do Estado adquiriu uma fazenda de 2.500 hectares no município de Nioaque, onde aqueles que continuaram na luta foram assentados. É o atual assentamento Padroeira do Brasil.
O episódio do despejo foi descrito pelo bispo de Dourados, em seu Segunda Carta Aberta ao Povo de Deus, de 19 de maio de 1984, e publicada no Diário do Congresso Nacional, de 24 seguinte, por solicitação do deputado Sergio Cruz (PMDB), que participou da luta aos lado dos sem-terra.
Na carta, Dom Teodardo lamenta que a “tentativa dos sem-terra de obter um pedaço de chão para produzir o pão” tenha sido frustrada pela “expulsão dos mais de mil ocupantes da área em questão, o que foi feito no dia 14 de maio, mediante uma operação da polícia militar que mobilizou para tanto um grande contingente”.
A desocupação – segundo o bispo – “se desenrolou debaixo de uma chuva fria, não deixando de ter desnecessárias pressões contra os despejados, gente humilde e sofrida, mas com uma fé inabalável em Deus e na sua causa.
Receberam a força policial de joelhos, com cantos e orações, os braços levantados em súplica para o céu. Obedeceram as ordens, desarmaram seus pobres barracos, umas tantas vezes ‘ajudados’ pelos policiais e levaram seus pobres pertences ao rio que separa a área da fazenda vizinha. Passando em pequenos barcos para o outro lado, tiveram que andar a pé ainda uns três quilômetros por claros brejos e sempre debaixo de chuva, até alcançar os caminhos os caminhões que estavam à sua espera”.
A área questionada seria desapropriada um ano depois, transformando-se em assentamento rural, ocupado pelos brasiguaios. A sede do loteamento, Novo Horizonte do Sul, virou cidade e foi emancipada em 1995.
FONTE: Sergio Cruz, Conflito de Ivinhema, violência contra os trabalhadores sem terra, Câmara dos Deputados, Brasília, 1984.
GARIMPO DE ROCHEDO VIRA ROMANCE HISTÓRICO

Neste seu primeiro romance o jornalista Sergio Cruz, misturando história com ficção, acompanha a longa maratona de A. Lima, repórter de um jornal do Rio de Janeiro, atrás de um garimpeiro em fuga com um valioso diamante, encontrado em Rochedo, garimpo localizado no Sul do antigo Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, em 1937, levado para o exterior, onde se desenrola a segunda parte da trama, que se desloca da África do Sul e Paris e termina em 1993, em Cuiabá. Venda exclusivamente em e-book.









