Pesquisa do jornalista Sergio Cruz da ASL e do IHGMS
Na retirada das tropas brasileiras da fazenda Laguna, durante a travessia do rio Apa, em Bela Vista, em 11 de maio de 1867, fere-se o combate de Nhandipá, onde entraram em ação 3.000 homens de ambos os lados, caindo na batalha para mais de 100 combatentes. O confronto é descrito pelo major José Thomaz Gonçalves, comandante do Batalhão 21 de Infantaria:
“O dia 10 foi de descanso, efetuando-se a 11 de manhã a passagem do rio Apa, com a qual gastou a força mais de 4 horas pela quantidade de animais e carros que passaram de uma margem a outra. Às 9 horas começou a marcha na ordem adotada anteriormente, caminhando-se perto de três quartos de légua sem avistarem-se inimigos.
Entretanto, os terrenos prestavam-se perfeitamente ao movimento da cavalaria, por serem ligeiramente ondulados e abertos em todos os sentidos. Observou-se, por isso, o maior cuidado, prevendo qualquer tentativa em que fosse ainda experimentado o valor brasileiro. Na realidade, às 11 horas do dia foi repentinamente atacada a linha de atiradores do Batalhão n° 17 de Voluntários que marchava na frente, por infantaria inimiga, a qual se seguiu uma furiosa carga de cavalaria que veio esbarrar contra aquele batalhão, abrindo-se em duas alas, que desfilaram a todo galope de um lado e de outro de nossa força, procurando penetrar na bagagem. O fogo que sofreu então o inimigo foi terrível. Cada batalhão formou quadrado com rapidez espantosa, indo muitos cavaleiros morrer espetados nas pontas das baionetas do intrépido Batalhão 21. A artilharia, metendo em bateria com extrema velocidade, fez fogo mortífero de granadas sobre a cavalaria paraguaia que deixou o campo alastrado de mortos e feridos. A perda do inimigo não foi inferior a 70 homens; a nossa foi de 19 mortos e 29 feridos, no número dos quais contam-se os tenentes do Batalhão 17, Joaquim Mathias de Assumpção Palestino que faleceu dois dias depois, e Fernando Monteiro que portou-se com muita intrepidez.
Ainda essa vez como sempre, o campo ficou em nosso poder, dando-se sepultura aos mortos e recolhendo-se os feridos.
Um soldado paraguaio ferido declarou que o comandante da força inimiga era o major Martinho Urbieta e que o reforço esperado por este e pedido depois de conhecidos os movimentos da força brasileira, havia chegado, devendo-se reunir com brevidade, outro que já se achava em caminho.
Uma circunstância veio entristecer os espíritos depois de acabada a animação daquele glorioso combate: o gado que era trazido encostado ao flanco direito da força, havia desembestado com o estrondo das descargas, assim como os cavalos que serviam para tangê-lo. Eram os recursos de boca que repentinamente se escasseavam por modo desanimador, deixando a nossos soldados a perspectiva de 25 léguas de marcha com o inimigo sempre na frente e sem esperança de renovação da boiada”.
FONTE: S.Cardoso Ayala e Feliciano Simon, Album gráfico de Mato Grosso, Corumbá/Hamburgo (Alemanha), 1914, página 77.
FOTO: monumento aos soldados paraguaios, mortos no combate e Nhandipá
GARIMPO DE ROCHEDO VIRA ROMANCE HISTÓRICO

Neste seu primeiro romance o jornalista Sergio Cruz, misturando história com ficção, acompanha a longa maratona de A. Lima, repórter de um jornal do Rio de Janeiro, atrás de um garimpeiro em fuga com um valioso diamante, encontrado em Rochedo, garimpo localizado no Sul do antigo Mato Grosso, hoje Mato Grosso do Sul, em 1937, levado para o exterior, onde se desenrola a segunda parte da trama, que se desloca da África do Sul e Paris e termina em 1993, em Cuiabá. Venda exclusivamente em e-book.









