Campo Grande-MS
quinta-feira, 11/06/2026

Silvino Jacques e a Bruxa da Sapolândia levam seus autores à ASL

Os escritores Brígido Ibanhes, reconhecido pela sua linguagem de fronteira, e André Alvez, cronista e romancista de vertente urbana, foram anunciados pela Academia Sul-Mato-Grossense de Letras como eleitos para as cadeiras respectivamente de números 13 e 28. Candidataram-se seis escritores às vagas ‒ além de Ibanhes e Alvez: Isaac Ramos, Vilma Carli, Ewerton Carvalho e Janet Zimmermann ‒, e ambos tiveram o maior número de votos.

André Alvez ocupará a Cadeira 28 na sucessão da saudoso acadêmico Augusto César Proença, falecido em 2023; e Brígido Ibanhes ocupará a Cadeira 13 na sucessão do saudoso acadêmico Antônio João Hugo Rodrigues, também falecido em 2023. Regularmente inscritos conforme exigências estatutárias da ASL na abertura de vagas, e eleitos por votação geral em plenário, ambos devem tomar posse solene em breve.

Com significativa presença de Acadêmicos na sede da entidade para a votação, a sessão teve a condução dirigida pelo atual presidente da Academia, Henrique Alberto de Medeiros Filho ‒ que afirmou sobre Ibanhes e Alvez que ambos trazem relevância não apenas de escritores, mas de nomes que têm grande presença e fazem parte do contexto cultural de MS ‒ e o secretário-geral da ASL, Rubenio Marcelo ‒ para ele, a escolha dos dois novos acadêmicos “dignifica a história da ‘Casa de Ulysses’ e a preservação e desenvolvimento da língua, das letras e da cultura no Estado”‒, tendo como coordenador de todo o processo o acadêmico Abrão Razuk, que ressaltou o fato da ASL “preservar o desenvolvimento da língua, das letras e da cultura”.

ANDRÉ ALVEZ – Breve resumo

André Luiz Alvez é escritor, roteirista, pós-graduado em Literatura Brasileira pela UCDB e publicitário formado pela UNISA-SP. Nasceu e cresceu em Campo Grande, Mato Grosso do Sul, com forte ligação ao antigo bairro Amambaí; com uma sólida trajetória no cenário cultural de Mato Grosso do Sul, consolidou-se como um dos nomes mais ativos de sua geração, atuando como romancista, cronista, contista e palestrante. Presidiu a União Brasileira de Escritores de MS (UBE-MS) entre 2017 e 2018.

Como cronista urbano, registrou o cotidiano sul-mato-grossense no jornal Correio do Estado (Caderno B) de 2008 a 2019. Atualmente, assina a coluna semanal “Beba das crônicas” no portal Campo Grande News. Paralelamente à literatura, André possui forte inserção no audiovisual, tendo se especializado em roteiro e direção cinematográfica através de oficinas com grandes nomes do cinema nacional, como Anna Muylaert e José Eduardo Belmonte.

Já ministrou palestras na ASL como convidado, abordando escritores como Hemingway e García Márquez. Sua infância e o imaginário transmitido por sua mãe a respeito das lendas urbanas de Campo Grande serviram para sua transição das crônicas do cotidiano para os romances de ficção e mistério. É autor de sete livros entre romance, contos e crônicas, com obras premiadas e mesmo publicadas internacionalmente, destacando-se entre eles A Bruxa da Sapolândia, e O Santo de Cicatriz e Todo bicho alado sente medo do vento; recentemente, lançou Flores azuis não vão para o céu.

BRÍGIDO IBANHES – Breve resumo

Natural de Bela Vista, localizado na fronteira com o Paraguai e banhado pelo Rio Apa, Brígido Ibanhes teve esse cenário geográfico e sociocultural definindo não apenas sua identidade, mas toda a sua trajetória literária e de vida. Técnico em contabilidade por formação inicial, construiu uma carreira multifacetada como escritor, ativista cultural e defensor dos direitos humanos e da cidadania.

Crescer no ambiente dinâmico fronteiriço — onde convergem o português, o espanhol, o guarani e a cultura de dois países — transformou Ibanhes em um atento observador da linguagem de fronteira, da história local, dos mitos populares e das tensões sociais da região. Sua escrita transita entre o jornalismo investigativo, a pesquisa histórica e a ficção, destacando-se pela recuperação da memória coletiva e por dar voz a figuras marginalizadas ou esquecidas pela historiografia oficial.

Seu estilo é definido pelo regionalismo fronteiriço sul-mato-grossense, caracterizado pelo resgate da tradição oral e mitológica guarani, denúncia política e preservação da memória. Sua produção engloba contos, memórias e ensaios biográfico-históricos de grande relevância acadêmica e literária. Autor de onze livros, entre os de maior destaque estão: Silvino Jacques: O Último dos Bandoleiros, Che Ru (Chirú): O Pequeno Brasiguaio – A Integração de um Povo e Che Retã. Frequentemente citado em teses e dissertações acadêmicas que analisam o “Discurso de Fronteira” e a literatura de Mato Grosso do Sul, ao lado de nomes como Hélio Serejo ajudou a mapear o imaginário cultural de uma região historicamente esquecida pelos grandes centros urbanos do país.

Exerceu papel fundamental na consolidação de instituições culturais, tendo sido membro-fundador da Academia Douradense de Letras (ADL) e seu primeiro presidente, conduzindo-a em três mandatos alternados. Atuou como conselheiro e membro titular do Conselho Municipal de Cultura de Dourados e da Câmara Setorial de Livro, Leitura e Literatura do Fórum Estadual de Cultura de MS, e foi nomeado Cônsul por Dourados (MS) para a organização internacional POETAS DEL MUNDO. Também teve ampla atuação em direitos humanos e gestão cultural.

A ACADEMIA SUL-MATO-GROSSENSE DE LETRAS

Fundada pelos escritores Ulysses Serra, Germano de Souza e José Couto Pontes, a Academia Sul-Mato-Grossense de Letras (ASL) conta com 54 anos de história e 40 cadeiras vitalícias, inspiradas no modelo da ABL. Originalmente batizada como Academia de Letras e História de Campo Grande, a instituição mudou para o nome atual em dezembro de 1978, acompanhando a criação do estado de Mato Grosso do Sul. A instituição é um pilar da cultura estadual, adotando critérios rigorosos na eleição de seus membros e atua firmemente na valorização da língua portuguesa, da literatura e da cultura local e nacional. Detalhes sobre seus acadêmicos e atividades estão disponíveis no site oficial: www.acletrasms.org.br.

Os atuais membros da ASL são: Abrão Razuk; Altevir Soares de Alencar; Américo Calheiros; Ana Maria Bernardelli; Elizabeth Fonseca; Emmanuel Marinho; Enilda Mougenot; Fabio do Vale; Geraldo Ramon; Guimarães Rocha; Henrique Alberto de Medeiros; Humberto Espíndola; Ileides Muller; José Couto Vieira Pontes; José Pedro Frazão; Lenilde Ramos ; Lucilene Machado; Marcos Estevão; Maria Adélia Menegazzo; Marisa Serrano; Orlando Antunes Batista; Oswaldo Almeida; Padre Afonso de Castro; Paulo Correa de Oliveira; Paulo Nolasco dos Santos; Paulo Tadeu Haedchen; Pedro Chaves; Raquel Naveira; Reginaldo Araújo; Renato Toniasso; Rubenio Marcelo; Samuel Medeiros; Sergio Fernandes Martins; Sergio Cruz; Sylvia Cesco; Theresa Hilcar e Valmir Batista Corrêa. André Alvez e Brígido Ibanhes foram eleitos e aguardam solenidades de posse.