Campo Grande-MS
domingo, 12/07/2026

No primeiro Angelus deste verão em Castel Gandolfo, Leão XIV refletiu sobre a parábola do semeador e recordou que Deus continua a confiar em cada pessoa, mesmo diante das fragilidades e resistências do coração humano

Entre o azul intenso do céu de verão e as águas tranquilas do Lago Albano, milhares de fiéis e peregrinos preencheram a Praça da Liberdade neste domingo, 12 de julho, para rezar o Angelus com o Papa Leão XIV em Castel Gandolfo.. A temperatura era mais amena do que em Roma, cerca de 31 graus contra os 34 registrados na capital italiana, mas suficiente para recordar que o verão chegou em cheio também à residência pontifícia dos Castelos Romanos.

Foi neste cenário que o Pontífice presidiu a oração mariana, retomando, como no ano passado, esta tradição profundamente ligada a Castel Gandolfo. Antes do Angelus, Leão XIV refletiu sobre a parábola do semeador, proposta pela liturgia do XV Domingo do Tempo Comum (cf. Mt 13,1-23), “que descreve a generosidade e a confiança com que Deus espalha a sua Palavra no nosso coração e o seu poder em nós”:

“O próprio Jesus, o Verbo que se fez homem, que deu a sua vida pela nossa salvação, é a semente que o Pai continua a espalhar pelo mundo para que, ao morrer, dê muito fruto (cf. Jo 12,24). É verdade que Ele, às vezes, encontra em nós um terreno duro e insensível; outras vezes, distraído, semelhante ao solo batido dos caminhos, ao terreno pedregoso ou aos arbustos espinhosos; mas há momentos em que encontra uma terra receptiva e fértil, e então desencadeiam-se milagres de amor capazes de mudar tudo, como certamente também nós já experimentámos na nossa vida. Por isso, o Pai não desiste de semear, porque sabe que o poder do seu amor é mais forte do que a nossa fraqueza (cf. 2 Cor 12,9-10).”

Deus acredita em nós

Em seguida, o Santo Padre sublinhou a confiança inabalável de Deus em cada ser humano. Citando São João Crisóstomo, Leão XIV explicou que aquilo que pareceria irracional para um agricultor, semear em terrenos difíceis, torna-se plenamente compreensível quando se trata do coração humano, capaz de mudar e de acolher a graça divina:

“A generosidade de Deus para conosco não é ingênua, mas sábia, e sabe aproveitar em nós a possibilidade de um bem do qual, por vezes, nem sequer percebemos. Por isso, o Senhor, que conhece o terreno do nosso coração melhor do que nós próprios, não deixa de acreditar em nós, em quem somos e em quem nos podemos tornar, dia após dia, se nos entregarmos a Ele com fé.”

Segundo Leão XIV, é precisamente dessa combinação entre a gratuidade com que Deus lança a semente e a disponibilidade com que ela é acolhida que nascem os frutos do Espírito Santo: amor, alegria, paz, paciência, bondade, fidelidade, mansidão e autodomínio. “Quanto o nosso mundo precisa destes frutos e de ser preenchido e transformado por eles!”, exclamou.

Tempo para escutar a Palavra

Ao concluir a reflexão, o Papa dirigiu um convite especial aos fiéis que vivem este período de férias. Sem descuidar do descanso e do lazer saudável, encorajou todos a reservar tempo para a escuta, a leitura e a meditação da Palavra de Deus, bem como para momentos de silêncio e oração, e completou:

“Retornaremos às nossas ocupações habituais renovados no corpo e no espírito, prontos para anunciar a Boa Nova do Evangelho e cada vez mais capazes de cooperar no crescimento do Reino de Deus. Que Maria, Rainha dos Apóstolos e Estrela da Evangelização, nos ajude nisto.”

Ao término da oração mariana, o Santo Padre concedeu a todos a sua Bênção Apostólica.

Fonte e Foto: Vatican News