quinta-feira, 25/04/2024

Presidente lembrou que este não é o primeiro caso de racismo envolvendo o Carrefour e afirmou que o país não vai admitir novos casos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse, durante a reunião ministerial desta segunda-feira (10/4), que o grupo francês Carrefour, uma das maiores varejistas do mundo, não pode cometer crimes de racismo no Brasil. O petista se referia ao caso envolvendo uma professora negra que, após ser acompanhada por seguranças, resolveu tirar a roupa em forma de protesto.

“Ela teve que ficar só de calcinha e sutiã para provar que não ia roubar. É a segunda vez que o Carrefour faz esse tipo de coisa. A gente precisa dizer para a direção do Carrefour que, se eles quiserem fazer isso no seu país de origem que eles façam, mas nesse país aqui a gente não vai admitir o racismo”, disse Lula. 

O CASO

Uma mulher estava a fazer compras num supermercado do grupo Carrefour e despiu-se para que o segurança parasse de a perseguir. Para Isabel Oliveira, a atitude do funcionário foi um ato de racismo.

Mulher despe-se em supermercado após ser seguida pelo segurança. Saiba porquê (veja o vídeo)
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Isabel Oliveira, professora e atriz, despiu-se e ficou apenas de roupa interior num supermercado para mostrar que não roubava nada, depois de ser perseguida pelo segurança do estabelecimento em Curitiba, no Paraná, Brasil. A mulher considera ter sido vítima de um ato de racismo e gravou um vídeo a relatar os acontecimentos.

“Não devia comprar, porque acho que um supermercado que trata os nossos corpos como uma ameaça não devia ter o nosso dinheiro suado. Mas fiz questão de voltar para pagar a lata de leite que eu estava a comprar antes de ser perseguida pelo segurança. Vim em ato de repúdio nua que é para poder ter o direito de ser tratada com dignidade”.

“Eu odeio fazer isto, mas preciso de fazer uma denúncia. Eu acabei de sair do Atacadão. Fui tratada como se fosse uma marginal, fui seguida pelo segurança dentro do mercado por mais de meia hora. Isto não pode ser normal”, desabafou Isabel em lágrimas, contando que precisou de “fazer um escândalo” na loja e gritar para “ser tratada com dignidade”, avança o “Terra“.

Isabel revelou também que quando confrontou o segurança, este disse que estava apenas a fazer o seu trabalho. “Eu fui à polícia, eles perguntaram se eles se tinham recusado a atender-me, alguma coisa que caracterizasse como racismo, porque nada aconteceu e o segurança só estava a cumprir o papel dele. O papel dele é perseguir uma pessoa preta no supermercado?”, questionou a atriz, que se terá despido para provar que não escondia qualquer item nas roupas.

O ESTADO DE MINAS/ MGG-SAPO