sexta-feira, 23/02/2024

Julho das Pretas valoriza mulheres negras da comunidade quilombola São Miguel

Julho das Pretas valoriza mulheres negras da comunidade quilombola São Miguel

As mulheres da Comunidade Remanescente de Quilombo São Miguel, localizada no município de Maracaju, participaram na última quinta-feira (13), de um bate-papo sobre desigualdade, violência e relações de poder, mas também de visibilização da arte e da produção de conhecimento das mulheres negras.

Roda de conversa sobre a temática da Campanha Julho das Pretas.

 A programação fez parte da campanha “Julho das Pretas: Eu, Mulher Preta”, dedicada para ações e debates sobre políticas públicas de enfrentamento ao racismo, aos preconceitos e a todas as formas de violação de direitos, reafirmando o protagonismo e a participação das mulheres pretas, realizada pela Setescc (Secretaria de Estado de Turismo, Esporte, Cultura e Cidadania), por meio da Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial

“É muito gratificante voltar aqui na comunidade São Miguel, e ver o quanto essa comunidade se desenvolveu. Essa transversalidade com município e Governo do Estado é uma parceria que deu certo. E trazer a campanha Julho das Pretas para dentro da comunidade coloca em evidência a luta de cada mulher aqui, porque nós mulheres pretas, nós população negra enfrentamos muitas coisas nesse contexto social”, explica Vânia Lúcia Baptista Duarte, Subsecretária de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial.

O encontro foi promovido pela Subsecretaria de Políticas Públicas para a Promoção da Igualdade Racial, em parceria com a Secretaria de Assistência Social de Maracaju e UEMS (Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul), Unidade Universitária de Maracaju, com o objetivo de ampliar o diálogo, desenvolver ações e reforçar a luta das mulheres negras.

Laura Nunes de Souza, artesã e moradora da Comunidade São Miguel.

“É muito gratificante essa ação aqui, pois nos auxilia em todas as áreas. E faz com que a comunidade seja conhecida, é uma forma de divulgar o nosso artesanato, a comunidade, os produtos aqui fabricados. E o Julho das Pretas mostra que nós somos protagonistas dentro da comunidade, é maravilhoso essa valorização da mulher negra, que antes não éramos nem vistas e agora com essas ações, a gente sabe dos nossos direitos. Enquanto mulher preta eu sempre trabalhei e moro dentro da comunidade e essas ações dão visibilidade e nos enche de orgulho, de usar roupa colorida, de usar um turbante”, ressalta Laura Nunes de Souza, artesã e moradora da Comunidade São Miguel.

Quilombolo São Miguel

Mato Grosso do Sul, possui 22 comunidades remanescentes de quilombo certificadas pela Fundação Cultural Palmares, destas quatro tituladas e somente duas delas com o território todo da comunidade, que é o caso da comunidade São Miguel, que atualmente conta com 62 famílias morando no local.

A agricultura familiar tem ajudado a transformar as perspectivas econômicas da comunidade, as famílias fornecem produtos para a alimentação escolar de forma eficaz. Jorge Henrique Gonçalves Flores, membro da CONAQ (Coordenação Nacional de Articulação de Quilombos), explica que os produtores estão descobrindo o valor da terra dos quilombolas, garantindo o sustento da própria terra.

 “Estamos ganhando importância e conhecimento técnico para uma melhoria de vida, situação financeira e nos firmar nessa terra melhor. E uma mudança de vida para as famílias e futuras gerações que não precisam sair daqui para buscar emprego. Nós já estamos trabalhando na quarta geração da comunidade e nós estamos incentivando eles a valorizar o que tem aqui, a nossa história”, finaliza.

A prática da agricultura familiar levou desenvolvimento e renda para a comunidade.

Na ocasião a Secretária adjunta da Setescc, Viviane Luiza, ressaltou que, “nós aproveitamos a vinda na comunidade para conhecer as boas práticas aqui existentes, como a implementação do Selo Sabor de Maracaju, nos produtos aqui fabricados, além da venda da produção para a merenda escolar, em um trabalho integrado do município. E eu acredito que essas informações devem ser fomentadas em outras comunidades. A transversalidade que vemos aqui é o que faz com que as políticas públicas cheguem a todos. A UEMS junto aqui é o que fortalece o etnodesenvolvimento.”

Jaqueline Hahn Tente, Comunicação Setescc
Fotos: Jaqueline Hahn Tente