É executado, o marechal-de-campo Manuel de Almeida da Gama Lobo Coelho d’Eça, o barão de Batovi.Presidente da província de Mato Grosso, em 1879, depois de destacar-se como herói da guerra do Paraguai, envolveu-se na revolução federalista, em seu Estado, o Rio Grande do Sul, onde caiu prisioneiro das forças federais e foi fuzilado.¹
Sobre o barão e sua execução sumária, a imprensa carioca destacou:
“Manoel de Almeida da Gama Lobo d’Eça, barão de Batovi, marechal e segundo na ordem hierárquica, de 65 anos, casado, oficial de artilharia: por sua bravura representou saliente papel na guerra do Paraguai na qual serviu de princípio a fim, comandando um regimento de cavalaria montada.
Foi presidente e comandante das armas da antiga província, hoje estado de Mato Grosso, e depois da proclamação da república exerceu por algum tempo o cargo de comandante do distrito militar do Rio Grande do Sul.
Em fevereiro de 1892 retirou-se para Santa Catarina, sua terra natal, onde se conservou em disponibilidade.
Em julho de 1893 foi chamado ao Rio de Janeiro pelo marechal Floriano, quando este pretendia depor o governo legal de Santa Catarina: sufocada a perturbação desse Estado, permitiu que o marechal Gama voltasse ao Desterro.
Ali encontrou a esquadra revolucionária, quando esta se apossou daquela cidade.
Era comandante da praça o coronel Julião Augusto da Serra Martins; para resolver a entrega convidara todos os oficiais ativos para as conferências que precederam à capitulação.
O marechal Gama foi o primeiro a subscrever o ato de rendição.
Talvez tenha sido este o seu crime, porque nunca serviu à revolução, nem tampouco tomou parte ativa na política local.
Foi preso à meia noite do dia 21 de abril por uma escolta de alunos e apresentado no palácio do governador interino, coronel Antonio Moreira César: este desconheceu a sua qualidade de marechal do exército, denominando-o – marechal de Gumersindo.
Esteve quatro dias preso no quartel do 25° de infantaria, em lugar imundo, e levado à fortaleza de Santa Cruz foi ali fuzilado no dia 25, a 1 hora da tarde.
O marechal protestou contra o assassinato que se ia praticar, apelando para um conselho de guerra, perante o qual se justificaria plenamente.
Pediu que deixassem vestir seu uniforme, no que não foi atendido.
Então, desabotoando o casaco e pondo a mão sobre o coração, pediu a escolta que sobre ele fizesse pontaria”.²
FONTE: ¹Virgílio Correa Filho, História de Mato Grosso, Fundação Júlio Campos, Varzea Grande, 1994, páginas 555 e 573. ²Jornal O Apóstolo (RJ), 11 de dezembro de 1894.