quinta-feira, 23/05/2024
Em discurso, à tribuna, senador Jorge Kajuru (PSB-GO).

O senador Jorge Kajuru (PSB-GO) criticou o ex-presidente Jair Bolsonaro pela entrada ilegal no Brasil de joias avaliadas em cerca de R$ 16,5 milhões. Entre outubro de 2021 e dezembro de 2022, houve várias tentativas de liberação desses objetos na alfândega de São Paulo, sendo que, na primeira vez, foi informado aos agentes da Receita Federal de que se tratava de presente do governo da Arábia Saudita à então primeira-dama, Michelle Bolsonaro.

Em pronunciamento nesta segunda-feira (6), o parlamentar comentou informações publicadas pelo jornal Folha de São Paulo de que as joias estavam dentro da mochila de Marcos André Soeiro, assessor do então ministro de Minas e Energia de Bolsonaro, Bento Albuquerque. Interceptado na barreira alfandegária durante fiscalização de rotina no Aeroporto de Guarulhos, o servidor acabou obrigado a entregar as joias para a Receita.

— Tudo com ares de manobra sub-reptícia. Eivado, portanto, de suspeitas de irregularidade. Até porque colar, anel, relógio e o par de brincos cravejado de diamantes passariam pela alfândega sem nenhum problema se declarados como um presente ao Governo do Brasil. Como patrimônio da União, iriam para o acervo presidencial sem pagar nenhum tostão de imposto. Da maneira como veio, o tributo obrigatório chega a R$12,3 milhões, uma verdadeira fortuna, à altura, é claro, do valioso presente — observou o senador.

Kajuru destacou também a notícia de que o ex-ministro de Minas e Energia teria tentado pressionar os servidores da Receita a liberar as joias, assim que foram apreendidas, mas os funcionários da alfândega foram irredutíveis e não as entregaram ao ministro.

— Após a apreensão, o ex-Presidente Jair Bolsonaro tentou, durante um ano e dois meses, liberar as joias retidas. Foram oito tentativas A última, em 29 de dezembro passado — ressaltou o parlamentar.

O senador defendeu uma investigação, que deve ser aberta pela Polícia Federal, por determinação do ministro da Justiça, Flávio Dino, para apurar a tentativa do governo Bolsonaro de passar com joias pela alfândega, de maneira ilegal:

— A atuação dos servidores da Receita em Guarulhos, que resistiram bravamente ao assédio oficial e não entregaram as joias, é um indicativo da importância da estabilidade no setor público que, em situações-limite, pode significar a garantia do cumprimento da lei. Espero que os policiais responsáveis por investigar o imbróglio tenham o mesmo espírito público mostrado pelos servidores da Receita Federal.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)