sábado, 18/05/2024
Em discurso, à tribuna, senador Eduardo Girão (Novo-CE).

Em pronunciamento nesta segunda-feira (06), o senador Eduardo Girão (Novo-CE) enalteceu a vida e o trabalho do jurista, diplomata, parlamentar, tradutor e jornalista Ruy Barbosa, patrono do Senado. Para Girão, Ruy Barbosa é um grande exemplo a ser seguido por todos aqueles que veem a política como missão de vida voltada para o bem comum. O centenário da morte de Ruy foi tema de sessão solene do Congresso Nacional em 1º de fevereiro.

O senador ressaltou que um dos momentos mais ricos da trajetória de Ruy Barbosa foi quando o jurista representou o Brasil na Conferência de Haia, em 1907, às vésperas da Primeira Guerra Mundial:

 — De onde veio esse encantamento internacional com o nosso Ruy Barbosa? Além, é claro, de sua extraordinária oratória, foi, sem dúvida, do seu destacado posicionamento pela paz mundial. Um grande pacifista, Ruy Barbosa, Águia de Haia, foi contrário à criação de um tribunal de arbitramento internacional comandado apenas pelas maiores potências econômicas e bélicas do planeta. Alertou com firmeza que tal modelo, ao invés de pacificar o mundo, apaziguar o planeta, teria o efeito inverso, com uma corrida armamentista.

Girão também destacou que Ruy Barbosa foi ministro da Fazenda na recém-proclamada república brasileira, enfrentando duras críticas por suas medidas de austeridade. Segundo o parlamentar, Ruy sempre reconheceu os méritos do Imperador D. Pedro II e, mesmo decepcionado com os rumos tomados pela política brasileira, nunca desistiu da República e da democracia.

Girão também mencionou alguns dados biográficos de Ruy Barbosa de Oliveira, que nasceu no dia 5 de novembro de 1849, em Salvador (BA), e morreu no dia 1º de março de 1923, em Petrópolis (RJ). Ao longo de seus 73 anos de vida, inscreveu seu nome no rol dos intelectuais mais importantes da história do Brasil. Membro fundador do Senado, em 1890, o jurista manteve-se no cargo de senador até seu falecimento, totalizando cinco mandatos:

— Ruy chamou atenção pela inteligência precoce, ainda na primeira infância. Quantas vezes seus pais tiveram que interromper a atividade que a criança, com menos de dez anos, mais gostava de fazer: a leitura de livros, mesmo tarde da noite e à luz de velas! Naquela época, não se tinha a comodidade que a gente tem hoje: você vai lá – plim! – e liga a luz elétrica. Já nessa fase da vida, apresentava os sinais de alguém que se tornaria, pouco tempo depois, um dos maiores filósofos, oradores, jornalistas, advogados, juristas, diplomatas e, principalmente, políticos que este país já teve!

O senador também procurou trazer as palavras do político baiano para a realidade presente, na qual vê “uma caçada à liberdade de expressão de quem pensa diferente do sistema”. Erepetiu o que chamou de alerta profético: “a injustiça, por ínfima que seja a criatura vitimada, revolta-me, […] incendeia-me, roubando-me a tranquilidade e a estima pela vida”.

Agência Senado (Reprodução autorizada mediante citação da Agência Senado)