Eleição simboliza a força da organização sindical sul-mato-grossense no cenário nacional, afirma professora Deumeires Morais, atual presidenta da FETEMS
A professora Fátima Silva, que foi presidenta da FETEMS (Federação dos Trabalhadores em Educação de Mato Grosso do Sul) (1996-2002), foi eleita no sábado (17) presidenta da CNTE ( Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação) durante o 35º Congresso Nacional da entidade, realizado no Centro de Convenções Ulysses Guimarães, em Brasília. A vitória expressiva, com 91,27% dos votos pela chapa 10, representa uma conquista histórica para a educação brasileira e motivo de grande orgulho para a FETEMS e para Mato Grosso do Sul.
A eleição contou com a participação de mais de 2.300 delegados e delegadas de todo o país. A chapa vencedora obteve ampla maioria, superando a chapa 20, que recebeu 6,07% dos votos, consolidando o apoio da base sindical a um projeto político comprometido com a defesa da educação pública, da democracia e da valorização dos trabalhadores e trabalhadoras em educação.
Trajetória construída na luta pela educação
Pedagoga formada pela UFMS, Fátima Silva iniciou sua atuação como professora no município de Coronel Sapucaia, na região de fronteira entre Brasil e Paraguai nos anos 80. Foi nesse território que começou sua militância sindical e social, em uma trajetória marcada pela defesa dos direitos, pela organização coletiva e pelo compromisso com a escola pública.
Ao longo de sua caminhada, presidiu a FETEMS entre 1996 e 2002, período de fortalecimento da Federação em Mato Grosso do Sul. Também ocupou cargos estratégicos na CNTE, como secretária de Relações Internacionais e secretária-geral, além de ter atuado como vice-presidenta da IEAL (La Internacional de la Educación América Latina), ampliando a inserção da educação brasileira no debate latino-americano e internacional.
Inspirada na música Sonhos Guarani, dos músicos sul-mato-grossenses Paulinho Simões e Almir Sater, a presidenta eleita afirmou que a canção a acompanhou durante os dias do congresso e ajudou a resgatar memórias profundas de sua origem. “Se não fosse a guerra, isso aqui seria um outro país”, citou, explicando que a letra a remete à região de fronteira onde iniciou sua militância, espaço marcado por disputas históricas, mas também por resistência cultural e identidade latino-americana.
De forma emocionada, Fátima relacionou cultura, memória e luta sindical ao afirmar que reconhecer as próprias raízes é parte essencial da construção política. Ela disse que chegou a Mato Grosso do Sul pelas circunstâncias da vida, mas que foi ali que se constituiu como sujeito coletivo. “Eu não nasci sul-mato-grossense, eu me adornei dessa identidade. Hoje eu digo com orgulho: sou uma brasileira latino-americana”, declarou.
Diretrizes da nova gestão
Após a confirmação do resultado, Fátima Silva afirmou que a CNTE seguirá firme na defesa da soberania nacional, da democracia e da autonomia do povo brasileiro. “Nós temos no plano nacional a defesa inteligente da soberania, da democracia e da autonomia do país e do povo brasileiro”, declarou.
Segundo a nova presidenta, a entidade dará continuidade ao projeto político que está em curso no Brasil, com foco na inclusão social e no enfrentamento às iniciativas que atacam a educação pública. Ela ressaltou que a CNTE atuará “com afinco para garantir melhorias nas políticas públicas e na educação”, destacando como prioridades o fortalecimento do Plano Nacional de Educação, com 10% do investimento destinado ao setor, e a valorização profissional.
Fátima destacou avanços já conquistados e desafios ainda presentes. “Temos hoje o piso do magistério que precisa garantir reajuste e ganho real, mas ainda enfrentamos o desafio do piso dos funcionários de escola. Não podemos continuar com tamanha precarização no setor educativo”, afirmou. De forma indireta, ela também criticou o uso inadequado dos recursos da educação, defendendo que sejam aplicados exclusivamente na atividade-fim do ensino público.
Articulação nacional e internacional
Fátima Silva ressaltou ainda que a CNTE fortalecerá a articulação com a CUT, com outras centrais sindicais e, principalmente, com os sindicatos de base. “A CNTE tem mais de um milhão de trabalhadores e trabalhadoras filiados, e são eles que dão sentido à nossa atuação”, disse.
Em outro momento, emocionada, a presidenta eleita relembrou suas origens e a importância da memória histórica. “Eu venho da fronteira, de um território onde o Brasil já foi Paraguai. Foi ali que tudo começou, em 1985”, afirmou. Ela completou dizendo que não esquece suas raízes e que suas conquistas são coletivas: “Nada do que construí foi individual. Tudo é fruto da luta coletiva”.
Orgulho da FETEMS
Para a presidenta da FETEMS, professora Deumeires Morais, a eleição de Fátima Silva simboliza a força da organização sindical sul-mato-grossense no cenário nacional.
“É um orgulho imenso para a FETEMS ver uma companheira que nasceu da nossa base, que presidiu a nossa Federação e que sempre esteve ao lado dos trabalhadores e trabalhadoras da educação, assumir a presidência da CNTE. Essa vitória mostra que Mato Grosso do Sul tem voz, tem história e tem compromisso com a educação pública”, destacou Deumeires.
A eleição de Fátima Silva reforça o protagonismo da FETEMS na luta nacional em defesa da educação pública, democrática e de qualidade, e projeta para todo o país a trajetória construída a partir das escolas e da organização sindical de Mato Grosso do Sul.
Fonte: Comunicação FETEMS | Por: Marcus Moura | Foto: fetems/Divulgação









