Perguntaram ao Manoel de Barros, as três coisas mais importantes na vida dele. Ele foi categórico na resposta:
“As três coisas mais importantes para mim são duas: o amor e a poesia.”
Em outro momento, colocaram-lhe diante do dilema da vida, da sua finitude, aí ele saiu com essa: “O Tempo só anda de ida. A gente nasce, cresce, envelhece e morre. Pra não morrer. É só amarrar o Tempo no Poste.”
Amarrar o tempo no poste é amar. Manoel queria dizer que toda pessoa que tem um porquê viver, algo porque lutar, alguém para esperar, alguém para cuidar, um sonho a realizar, amarra o tempo no poste. Uma vez que aquele sentido de tempo fica eternizado, no tempo de Kairós, deixando de fazer sentido contar os dias para a morte.
É por aí… completar mais um ano de vida, ou seria menos um? Manoel sempre esteve certo em dedicar ao amor tanta importância.
O amor é a corda que amarra o tempo no poste, que torna a nós todos crianças, adolescentes, fazendo piruetas, dando saltos soltos e rodando o bambolê das emoções positivas. O amor é quem para o envelhecer, embora as células estejam ficando velhas, ou morrendo. Esse paradoxo você só entenderá se preservar a capacidade de amar, na entrada dos anos que se avizinham.
Creio que é isso que gostaria de compartilhar nesse instante em que comemoro idade nova.
A força que temos em nós mesmos de produzir amor.
De gerar amor, de amar e ser amado. E, como quando nos sentimos assim, o quanto ficamos rejuvenescidos, eternos.
Legal saber que podemos ajudar a parar o tempo de alguém. Por isso nesta quinta-feira (27) data do meu aniversário, aceitei de pronto o convite da Lenilde Ramos para um café da manhã com os amigos jornalistas no Hospital São Julião, para conhecer ainda mais essa história de quase um século se humanidade e altruísmo. Onde se reúne voluntários e um pessoal que organiza essa “cidade” de muito amor e solidariedade.
A gente vê as cordas desse pessoal amarradas no poste. Eu vejo.
Vemos também, o povo que trabalha lá se sentindo amado, e quem se sente amado, amarra a corda no poste da vida também.
Vocês estão vendo as cordas amarradas nos postes da vida? Eu vejo.
O amor nos torna imortais, para o tempo, altera nossa percepção de sentido, nos faz grandes e potentes.
Por isso, fique com a poesia de Manoel de Barros, acresça a ela o amor e a corda que para o tempo no poste.
Talvez seja essa a melhor coisa da vida, que estamos desaprendendo de fazer: dar e receber amor, sem esperar nada em troca.